O primeiro título da Arena Corinthians

Dia de recorde de público e renda. Dia de gritar “é campeão” bem antes do jogo começar. Dia da Ponte acreditar em feito histórico, no seu primeiro título e com virada épica. Esperava um bom jogo por conta destes fatores, mas a primeira etapa do duelo alvinegro foi marcada por pressão sem criatividade da Ponte e por algumas entradas mais ríspidas de ambos os lados, sendo uma surpresa infeliz para quem esperava uma boa partida.

O empate em 0 x 0 ao fim do primeiro tempo fez com que a segunda etapa fosse mera formalidade, com jogadores da Ponte visivelmente abatidos, sem acreditar na virada, que ficou ainda mais complicada após o gol de Romero (maior artilheiro da Arena). A Ponte conseguiu o empate em momento que a torcida só queria
saber de festa.

Foi questão de tempo para o apito final e garantir o 28o título Paulista do Corinthians. Título importante para boa parte do elenco que teve uma mescla de jogadores da base com alguns mais “veteranos”, sem ter nenhum craque no time.

Cássio, sendo o primeiro goleiro a levantar a taça como capitão corinthiano depois de dar a volta por cima. Pablo sendo uma grata surpresa na mais uma vez sólida defesa ao lado de Balbuena. Fagner ainda importante do lado direito (apesar de não repetir atuações do passado), diferente do lado esquerdo onde Arana apareceu c grande destaque, principalmente no apoio e deve em breve ser mais um jovem jogador no exterior.

No meio de campo, um dos grandes destaques é para o volante Gabriel, que parece jogar há anos no time (e não entendo porque o Palmeiras não manteve o jogador). Maycon foi outro destaque da base nesta conquista, mostrando que já poderia ter tido chances no ano passado. O contestado Romero recuperou a vaga no time titular e teve destaque na campanha.

Mas os três últimos jogadores do time ideal são destaques improváveis. Rodriguinho teve um ótimo campeonato e foi um dos principais nomes na fase decisiva, com gols e assistências. Jadson voltou da China e com sua experiência foi importante tanto na parte técnica como psicológica
Sua chegada inclusive foi um ponto de mudança do time perante a torcida. E claro, temos Jô revertendo a desconfiança inicial e com atuações sólidas, principalmente nos clássicos, jogos vitais para o time ser respeitado e ganhar confiança.

Por fim, o destaque para Fábio Carille, que conseguiu montar um time forte defensivamente e que aos poucos conseguiu melhorar inclusive o setor ofensivo nos jogos finais. Conseguiu em seu primeiro trabalho um título importante para sua carreira profissional.

Dizer que este time pode fazer um bom Brasileirão é precipitado. Alguns jogadores devem receber propostas no meio do ano, fora que as finanças do time estão ruins , o que impede a manutenção de jogadores ou mesmo a contratação de bons nomes para reforçar o elenco.

Mas por hora, os torcedores do Corinthians tem motivos para comemorar mais um título em sua história.

Ponte pode surpreender?

3 x 0 é uma vantagem considerável a favor do Corinthians e o título está bem próximo do Parque São Jorge. E esta vantagem é justamente o fator que pode motivar a Ponte Preta. O time de Campinas já começa a partida vice campeão, ou seja, sem nada a perder.

Este ponto pode servir para tirar o peso que os jogadores campineiros tiveram na primeira partida e jogarem mais soltos, sem pressão. Óbvio que Kleina precisa achar alternativas para furar a sólida defesa adversária, que terá o desfalque importante do volante Gabriel. Tal postura deve proporcionar um jogo interessante na primeira etapa, com o Corinthians jogando como gosta, esperando o adversário.

Se de um lado temos um técnico quebrando a cabeça e precisando motivar seu time, do outro lado temos um técnico que precisa conter a empolgação natural de quem esta bem próximo da taça e que sabe que precisa fazer seus jogadores entrarem focados e ligados no jogo.

A primeira etapa deve ser crucial para o time de Campinas. Virar a primeira etapa com uma vantagem, mesmo que mínima deixa o time vivo. Mas começar o segundo tempo com placar empatado ja deve ser suficiente para esfriar os ânimos. Carille sabe desta vantagem e tem consciência que um gol ba primeira etapa deve ser o suficiente para garantir o título.

Espero que a primeira etapa seja movimentada e que possamos ter um bom primeiro tempo neste segundo jogo da final, com o ritmo da segunda etapa dependendo do que acontecer nos 45 minutos iniciais.

Uma mão e meia no título

Depois de eliminar o Santos e principalmente após a goleada em casa frente o Palmeiras, era esperado que a Ponte Preta fosse em busca de mais um bom resultado em casa na luta por um título inédito em sua história. O problema foi encarar do outro lado outro alvinegro que foi para campo motivado, em busca de um empate (que já seria um bom resultado) ou vencer fora, que daria uma vantagem imensa.

Como acontece em tantas ocasiões, o peso de uma final atrapalhou alguns jogadores. Do lado campineiro infelizmente tivemos jogadores com atuações abaixo da média. Pottker, a grande esperança de gols mostrou-se extremamente nervoso em campo, tendo como “ponto alto” uma agressão sem bola no volante Gabriel, que pode render inclusive uma justa suspensão ao atacante. Erros de domínio, bolas rebatidas pela defesa do Corinthians e mais uma sólida atuação defensiva fizeram com que Kleina não encontrasse alternativas de jogo, não gerasse perigo para a meta de Cássio.

Se na defesa o Corinthians manteve seu desempenho, no ataque temos que destacar a grande atuação de Rodriguinho, novamente decisivo em um mata-mata, com Jô sendo um perfeito coadjuvante. A jogada do primeiro gol no primeiro tempo foi típica de centroavante, com troca de passes entre Jô e Romero terminando com bela finalização de Rodriguinho abrindo o placar em Campinas.

1 x 0 seria um resultado que deixaria a partida totalmente em aberto. Restava saber como o time de Carille iria se portar. Alguns jogadores indo na pilha de uma final culminando em cartões amarelos para Gabriel e Rodriguinho (deixando ambos fora do segundo jogo) e causando preocupação nos corinthianos, principalmente por jogos onde o Corinthians se mostrou satisfeito com a vantagem mínima.

Kleina queimou duas substituições logo no inicio da segunda etapa, sabendo que precisaria do resultado. Cássio não teve trabalho e tal fato deixou claro aos jogadores do Corinthians que eles poderiam buscar ampliar o placar

Novo destaque para Jô, que disputou bola na defesa e acabou achando o meia Rodriguinho, que fez linda jogada individual e deixou Jadson na cara do gol.O número 77 do Corinthians (em homenagem ao título do mesmo ano, contra a mesma Ponte) fez o segundo gol para o alvinegro da capital.

O placar já deixava o Corinthians com grande vantagem, mas a Ponte que já tinha sentido o peso da final desabou após o segundo gol. Não por acaso, uma pane defensiva culminou com uma bola atravessando a área e encontrando Rodriguinho (novamente ele) livre para dar números finais ao jogo. O 3 x 0 fora de casa não foi mero acaso do Corinthians, que com o resultado só perde o título em caso de uma derrota vexatória em casa.

A Ponte tem obrigação de acreditar, mas sabe que precisa fazer a partida da vida e torcer por uma atuação desastrosa do Corinthians em sua Arena, que deve receber público recorde neste segundo jogo, em título que pode servir para um bom início de carreira de Fábio Carille.

Paulistas dão adeus a Copa do Brasil. Qual será o impacto no fim de semana?

Nesta quarta São Paulo e Corinthians foram eliminados na Copa do Brasil de formas distintas, que podem impactar e mudar a decisão por uma das vagas da final do campeonato Paulista e principalmente afetar a continuidade dos dois treinadores para o restante da temporada.

A situação tranquila de Carille e a pressão em cima de Ceni podem mudar de lado justamente por conta desta rodada de meio de semana.

O São Paulo foi para Minas Gerais com mudanças no time titular e fez uma partida pressionando o Cruzeiro, que parecia estar confortável com a vantagem de 2 x 0. A marcação do primeiro gol rapidamente de Lucas Pratto (com 14 minutos da primeira etapa) deixou a decisão aberta. O São Paulo teria quase um jogo todo para buscar o segundo gol e pelo menos levar a decisão para as penalidades. Não foi a toa que o time tricolor manteve a postura ofensiva e criou chances para ampliar a partida ainda na primeira etapa.

No segundo tempo a postura manteve-se a mesma, mas também aos 14 minutos, Thiago Neves bateu falta (que nasceu em falha de Rodrigo Caio). A bola desviou em Cueva e a partida voltou a ficar empatada, mas com o São Paulo sem se abalar, continuando no ataque. O segundo gol saiu com Gilberto (fazendo por merecer chances no time titular) aos 35 minutos do segundo tempo. Por pouco o terceiro gol não saiu, que iria garantir a classificação. Mas a eliminação acabou acontecendo, em jogo onde o time jogou bem e conseguiu tirar a invencibilidade mineira na temporada.

Já o Corinthians recebeu o Inter em casa , conseguiu um gol cedo e teve chances para ampliar o resultado. Mas o time novamente sentiu o peso de finalizações erradas e ótima atuação do goleiro adversário. Criou lances que poderiam ter resolvido a partida, mas não converteu. O time gaúcho no segundo tempo melhorou e depois de mais duas chances perdidas pelo time paulista, conseguiu seu empate em bola que ficou ameaçando a meta de Cássio e encontrou o pé de Fagner, marcando gol contra.

A partir daí foi possível notar os jogadores alvinegros nervosos, provavelmente com a pressão, já que o time contava com histórico negativos de eliminações em seu estádio. Tal fato fez com o que time buscasse de forma desesperada o segundo gol, em situação que foi positiva para o jogo, que ficou mais aberto. Chances começaram a ser criadas e qualquer um dos dois times poderia ter saído de campo com o segundo gol da classificação.

A decisão acabou indo para as penalidades. E Marcelo Lomba brilhou novamente, garantindo a vaga gaúcha para a próxima fase.

E agora fica a dúvida de como será a situação do domingo. O São Paulo ainda não arrumou sua defesa e tem chances reais de levar pelo menos um gol alvinegro, obrigando o time a marcar 3 gols se isso se confirmar. Mas se o time repetir a empolgação e qualidade desta quarta, tem grandes chances de recuperar-se e ser mais um time a eliminar seu rival no estádio alvinegro.

Já o Corinthians terá problemas até domingo. Jogando em casa poderá se dar ao luxo de dar a bola para o São Paulo e aposta na força da sua defesa? E como será a reação dos jogadores e torcida caso o tricolor abra o placar e dependa apenas de um gol para levar a partida para as penalidades?

É, temos chances reais de começar a próxima semana com Ceni em alta e com Carille começando a ser pressionado.

Esperar para ver o que o clássico nos reserva.

Alvinegros largam bem na disputa por vaga na final

O domingo de semifinais paulistas teve os dois clubes alvinegros resolvendo suas partidas na primeira etapa de seus fornecedores jogos e conseguindo vantagem importante para o próximo fim de semana.

A Ponte Preta mostrou que a boa campanha na fase de grupos e a eliminação do Santos não foi mero acaso e teve um primeiro tempo perfeito em Campinas. Aproveitando o fato do Palmeiras ter passado por um jogo difícil frente pela Libertadores, começou o jogo marcando forte e contando com ótimo aproveitamento ofensivo, abrindo logo cedo uma vantagem de dois gols que nem o mais otimista pontepretano iria esperar e nem o mais pessimista alviverde sonhava em seus piores pesadelos. Para piorar , o resultado foi ainda maior com o terceiro gol marcado ainda na primeira etapa.

O que surpreendeu no jogo foi a inoperância do ataque alviverde. O Palmeiras foi dominado na primeira etapa. No segundo tempo era esperado pelo menos um gol para melhorar a situação para o jogo da volta, mas na prática o time não ao não conseguiu criar nada como poderia ter levado o quarto gol que deixaria a situação ainda pior.

Já no clássico entre São Paulo e Corinthians tivemos um início de primeiro tempo bem interessante. Ceni apostou em uma postura ofensiva, com marcação forte, pressionando o Corinthians em sua defesa e vimos um alvinegro com dificuldades para sair jogando, levando sufoco no Morumbi. Só que o rival tricolor gosta de deixar o adversário com a posse de bola e resolver no contragolpe. O primeiro gol nasceu de boa trama ofensiva de Rodriguinho e Jô (em seu quarto gol em quatro clássicos) e teve o segundo gol marcado perto do fim da primeira etapa com Rodriguinho.

Na segunda etapa o Corinthians sentiu demais a falta dos seus armadores e foi acuado na defesa. Jadson saiu machucado e Rodriguinho sentiu o peso de uma forte gripe. O resultado disso foi uma segunda etapa com o Corinthians rifando bolas no ataque, com vários erros de passes em jogadas que poderiam render perigo.

Do outro lado , o São Paulo fez uma pressão ainda maior em busca de pelo menos um gol. Cássio foi obrigado a trabalhar , principalmente por conta de Gilberto, que entrou na segunda etapa e deu outro gás ao ataque tricolor. O problema foi a falta de alguém para dialogar. Cueva voltou de contusão longe do ritmo ideal é Lucas Pratto teve partida sofrível em termos de finalização. O retrato disso foi vermos várias jogadas do zagueiro Maicon pela direita, praticamente como um ponta na segunda etapa (mas sem qualidade para tal).

Óbvio que palmeirenses e tricolores precisam acreditar em uma virada no próximo fim de semana. Mas se a Ponte se trancou com um placar mínimo frente o Santos, imaginem como será a postura no Allianz? No outro confronto, Ceni precisará achar uma forma de furar a sólida defesa alvinegra.

Por conta disso, é difícil não pensar em uma repetição de uma final alvinegra 40 anos depois. Mas vamos ver o que o próximo fim de semana nos reserva.

Grata surpresa no Beira Rio

Jogos entre Corinthians e Internacional têm uma longa história desde 2005. Quando acontecem em um duelo de mata-mata, como Copa do Brasil, ganham ainda mais peso.

Ontem tivemos a primeira parte deste duelo em um jogo que agradou, ao contrário do que era esperado. Pelo que esta

mos acompanhando neste começo de ano , era esperado um jogo truncado. No papel, o atual elenco do Internacional pode não ser para ganhar um título de Libertadores ou mesmo uma vaga nesta competição, mas é um time que disputaria a série A tranquilamente.

Do outro lado um Corinthians com uma defesa sólida, mas com problemas no ataque e assumindo uma postura de jogar em cima do erro do adversário (algo que está dando resultado nos clássicos paulistas) e ainda com ausências importantes de Jadson e Jõ (sim, o atacante hoje é um desfalque importante no time alvinegro).

Mas ao contrário do esperado, o que vimos foi um duelo aberto e franco, com os dois times buscando a vitória, jogando de igual para igual. O resultado foi uma partida agradável de assistir e que poderia terminado com vitória para qualquer um dos dois times, mas com destaque principalmente para a atuação de Marcelo Lomba, principal responsável por manter o time gaúcho vivo na competição.

O time paulista conseguiu achar espaços ofensivos e criou reais chances de perigo ao longo do jogo. A primeira etapa passou num piscar de olhos, por conta de dois times procurando jogar e deixando jogar. O empate em 0 x 0 foi logo alterado no segundo tempo, com a abertura do placar em mais uma assistência no ano do jovem Guilherme Arana (que dificilmente deve terminar o ano no Corinthians por conta do assédio europeu) e gol de Romero. Falha defensiva de um lado, falha defensiva do outro, com Rodrigo Dourado aparecendo como elemento surpresa e empatando o jogo logo em seguida.

O jogo continuou no mesmo ritmo, podendo ser decidido para qualquer um dos lados, mas acabou com empate justo e que agradou aos dois lados e inclusive ao público presente, que aplaudiu ao final do jogo. Empate este que deixa uma pequena vantagem para o Corinthians, que pode empatar por 0 x 0 ou classificar-se com qualquer vitória, mas que deixa o Internacional vivo na competição, podendo avançar com qualquer empate com mais de 2 gols ou com vitória simples.

Seria pedir demais a mesma qualidade no jogo de volta? Estamos torcendo para isso.

Ponte apronta e será a intrusa entre os grandes nas semifinais do Paulistão

Palmeiras e São Paulo garantiram sua classificação para a fase semifinal do campeonato paulista sem grandes sustos, enquanto que o Corinthians novamente apresentou problemas ofensivos, mas garantiu sua vaga ao conseguir mais uma vitória por 1 x 0 em casa.

Restava o Santos, no duelo mais complicado de todos, visto que a Ponte Preta possui um time qualificado e fez uma boa campanha na primeira fase. A vitória no primeiro jogo obrigava o time da Vila Belmiro a buscar a vitória por pelo menos um gol para levar a decisão para as penalidades. O golaço marcado por David Braz antes dos 20 minutos deixava o caminho para uma classificação tranquila aberto.

O maior volume de jogo do time alvinegro deixava a impressão que o segundo gol seria questão de tempo. A Ponte Preta com uma postura fechada, claramente abdicando do jogo, mesmo com o resultado adverso contrastava com um Santos em alta velocidade, principalmente com uma ótima atuação de Bruno Henrique.

Mas apesar do volume de jogo, na prática a Ponte não sofreu grandes sustos, salvo por uma bola na trave no segundo tempo, enquanto que do outro lado Vanderlei foi mero expectador. Tática arriscada por parte do time campineiro, que no segundo tempo trancou-se ainda mais na marcação, principalmente por encarar um dos times com melhor potencial ofensivo no Brasil. Mas a tática deu certo, com a partida sendo decidida nas penalidades a favor da Ponte Preta, com David Braz perdendo sua cobrança e deixando o Santos fora de uma fase semifinal do Paulistão (algo que não acontecia desde 2004).

Motivo para crise? Com certeza não. Por mais que Dorival possa ter pecado na substituições (poderia ter ousado já que a Ponte não atacava), o foco do Santos precisa ser na Libertadores e demais competições. Batemos tanto na tecla que os estaduais perdem sua força a cada ano, porque dar um peso desnecessário, principalmente pelo histórico recente do Santos nesta competição?

Do lado vencedor, óbvio que a conquista precisa ser valorizada. Para a Ponte é um feito chegar na semifinal do estadual e seria algo histórico conquistar o título, por mais que o caminho seja complicado. Encarar o forte time do Palmeiras e depois ter que encarar mais um do trio de ferro (Corinthians ou São Paulo).

Mas isso é papo para a próxima coluna.

Ou os estaduais mudam ou eles acabam em curto prazo

Ano após ano, os campeonatos estaduais perdem seu apelo. Para os dirigentes de times pequenos é apenas uma forma de enriquecimento e nada mais. O resultado esportivo é totalmente ignorado. Mesmo nos raros casos de zebras ou trabalhos bem feitos, é algo temporário.

Basta lembrar do Audax, vice no passado, desmontado após o Paulista e rebaixado neste ano, ou do Ituano, último time do interior a surpreender e que não conseguiu nem avançar para a fase decisiva neste ano. Na história, o caso de clube que mais teve sucesso foi o São Caetano, que infelizmente hoje esta disputando divisões menores.

Vamos nesta edição. A Linense fez uma boa campanha na primeira fase e ao invés de valorizar o lado esportivo, preferiu pensar no lado financeiro e perdeu não apenas uma vez, como três. O São Paulo era favorito em Lins, no Pacaembu ou até em Marte? Sim. Ia ser maioria no estádio? Sim. Mas é inegável que foi vantajoso para o clube jogar em seu estádio, sem se preocupar com logística de viagens por exemplo.

O público de apenas 15 mil pessoas foi pífio, rendendo muito menos que o presidente do interior imaginava faturar. Renda dividida para os dois jogos? Com a vaga praticamente decidida pelo 2 x 0, quantos são paulinos vão comparecer no segundo jogo? Ou seja, além da derrota em campo p time” perdeu” financeiramente nos dois jogos.

Uma visão menos imediatista, apostando na campanha do time poderia ter sido uma aposta melhor. Não seria melhor investir no resultado esportivo e ter a possibilidade de exposição dos seus jogadores na mídia? Imaginem o sucesso caso o eliminasse o São Paulo? Exposição em uma semifinal contra outro grande?

Claro que o time pode reverter a desvantagem do primeiro jogo, mas sempre será colocado em pauta o prejuízo decorrente de pensar no lado financeiro ao invés do esportivo e ter perdido em ambos os lados.

Seleção volta a encantar

Bons profissionais também contam com grande dose de sorte. Tite assumiu uma contestada seleção brasileira credenciado pelo seu trabalho no Corinthians. Tal fato trouxe para si uma energia positiva, pois os próprios torcedores de outros times enxergavam nele o nome preparado para assumir o comando da seleção de futebol.

Alguns nomes contestados e que ao longo do trabalho foram ganhando espaço dentro das quatro linhas, fazendo por merecer seu lugar nas convocações. Claro, em qualquer trabalho, além de termos pessoas qualificadas, também procuramos estar com pessoas que confiamos. Por que com Adenor seria diferente? Paulinho é um destes nomes. Depois de passar sem deixar saudades no futebol inglês, o meio campista optou por jogar no futebol chinês, ainda longe da competitividade das grandes ligas e era um dos poucos nomes contestados na atual seleção.

E eis que jogando fora de casa, contra um adversário de histórico e de camisa forte, Tite emplacou sua sétima vitória seguida (feito inédito para um treinador de seleção brasileira), com uma virada histórica. Sair perdendo frente ap Uruguai (que é verdade sentiu a ausência de Suárez) poderia ser um desafio. Mas tal qual outros times comandados pelo gaúcho, o que vimos foi um time que não se desesperou, que não sentiu o gol.

E este “vimos” é bem no plural. Muitos brasileiros se programaram para assistir o jogo. E tiveram o privilégio de ver mais uma atuação sólida, com direito a três gols de Paulinho, agora o volante com mais gols pela seleção. Tiveram o prazer de assistir uma seleção que não joga pelo resultado. O antes retranqueiro Tite mostra que consegue moldar seu time com os nomes a disposição. Todos sabem jogar, todos propõem o jogo.

Uma defesa sólida, com um meio de campo e ataque de movimentação intensa (algo padrão no seu estilo ideal de time) e a ótima cereja no bolo que é Neymar. O atacante do Barcelona fez uma grande partida e marcou um lindo gol por cobertura, mas foi ofuscado pelo camisa 8 já citado. E esse fato faz pensar o quanto este time ainda pode render. O nosso melhor jogador brasileiro no mundo não é o mesmo de quando veste a camisa catalã, mas a melhor parte disso é que hoje ele não precisa disso.

Tite tirou o peso das costas do jovem jogador. Ele é craque, ninguém questiona isso, fato provado nesta ótima temporada que ele vem tendo. Mas hoje à seleção, ao contrário da época de Dunga, não depende dele. Como não depende hoje de nenhum jogador. Nosso treinador conseguiu criar um conjunto forte, mesmo em uma seleção, onde o maior desafio é o pouco tempo de trabalho, diferente do que acontece em um clube.

Isso quer dizer que somos favoritos? Que o hexa é nosso? Longe disso, mas que o futuro é promissor, isso não tenho dúvidas.

Com direito a mais um gol de cobertura, tabu alviverde continua

Neste último sábado (será que só eu sinto saudades dos clássicos de domingo?) o Palmeiras manteve seu ótimo retrospecto frente o São Paulo e conseguiu importante vitória em casa pelo placar de 3 x 0 com direito a mais um gol de cobertura, algo que vem se tornando padrão nos confrontos entre os dois times. Ceni dessa vez não levou o gol, mas teve que assistir do banco sua defesa falhar em um lance que mudou o jogo.

Até então, a partida no primeiro tempo apresentou um jogo disputado na marcação e sem emoções, rumando para um primeiro tempo que terminaria empatado, mas uma falha coletiva da defesa resultou em um lindo gol de cobertura, marcado por Dudu. O resultado no primeiro tempo mudou o panorama na segunda etapa. O Tricolor paulista foi obrigado a se lançar ao ataque. O problema foi que ao contrário de outros jogos, desta vez o time de Rogério Ceni encarou um adversário estava bem postado em campo e com controle da partida.

A defesa alviverde não deu espaços para as ações ofensivas do São Paulo, que sentiu demais a ausência de Cueva e foi presa fácil para o time de Eduardo Baptista, que conseguiu criar várias chances de perigo, ampliou o placar em 2 gols e poderia ter conseguido um resultado ainda mais elástico. O peso que um clássico tem é inegável. Não é capaz de dar opiniões definitivas, mas serve para mostrar defiências. O São Paulo está sendo reconhecido como um time ofensivo, mas com uma defesa falha. No clássico isso ficou evidente pelo lado da defesa, já que a falta de um armador no meio de campo fez com o que o ataque fosse inoperante, diferente do Palmeiras, que teve uma ótima partida e consegue um resultado importante, que deixa Eduardo em situação mais confortável, pelo menos até o próximo jogo (pela Libertadores).

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