Adeus de Zé Roberto marca o fim de uma geração?

Lembro de um jovem que voava na lateral esquerda em uma Lusa que contava com vários nomes promissores e que infelizmente bateu na trave de um título de renome ao ser vice campeã do Brasileirão de 1996. Alguém que não teve sucesso no Real Madrid, passou pelo Flamengo e depois teve uma ida ao futebol alemão, onde colecionou títulos e acima de tudo respeito em um país onde poucos estrangeiros conseguem tal façanha.

Sua dedicação a vida de atleta e sua liderança natural fizeram com que o jogador conquistasse seus companheiros na Alemanha, Arábia e principalmente no Brasil. Não foi a toa que se destacou no Grêmio e Palmeiras, onde fez valer sua condição física e técnica para se destacar no meio de campo,” enxergando” os atalhos em campo e aguentando a intensidade de um jogo cada mais físico, mesmo em idade avançada para um jogador de futebol (no Grêmio o jogador chegou em 2012, prestes a completar 38 anos).

Fingindo que jogava? Longe disso. Ao contrário de outros veteranos que se destacaram no fim de carreira apenas pela técnica , Zé também aguentava o ritmo do futebol atual. 3 anos conseguindo jogar em alto nível. Mas o corpo sente. Em 2016 ele era mais importante como motivador do que em campo. O pique para acompanhar os adversários já não era o mesmo. Teve que auxiliar na lateral esquerda e a idade cobrava o preço. No fim do ano passado a decisão de se aposentar foi adiada. Talvez pela identificação com o Palmeiras. Talvez pela vontade de conquistar uma Libertadores pelo alviverde paulista. Mas a idade pesava. Não por acaso o jogador teve algumas atuações ruins quando precisou atuar, principalmente por uma má fase do time, que não fez uma temporada de destaque. Não poderia carregar o peso de ser um jogador decisivo. De ser a referência técnica em campo. Aceitou retornar a lateral esquerda pensando em ajudar o time, por mais que sua condição física não permitisse mais atuar nesta posição.

Estes fatos, somados a rotina de um jogador profissional e a vontade de estar próximo da família fizeram com que dessa vez a decisão fosse definitiva. E felizmente a despedida se deu com vitória em casa (infelizmente sem que o Palmeiras fizesse uma ação especial para esta partida). Um fim de carreira de um jogador que foi exemplo em vários sentidos. Alguém que se dedicou intensamente a vida de atleta. Seria ótimo, mas utopia, imaginar que a nova geração seguisse seus passos. Em uma época onde redes sociais e selfies são mais importantes que treinos e cuidados físicos, resta ter apenas a lembrança de um jogador que merece seu nome na história do futebol brasileiro e que vai deixar saudades.

Para quem não viu, acessem este link para a última preleção de um GIGANTE jogador.

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