Indefinições tricolores

Os principais tricolores do país começam o ano com incertezas e preocupações para a temporada de 2018. Indefinições sobre os principais nomes atrapalham o planejamento do ano.

O Grêmio conseguiu renovar o contrato de Renato Gaúcho, viu Barrios , Edílson e Fernandinho saírem (nomes que em um primeiro momento não impactam, mesmo sendo três titulares). A situação gremista pode mudar nesta janela. Geromel, Luan e Artur tiveram grande destaque no ano passado e possuem potencial para jogar no futebol europeu (o volante tem sem nome ventilado no Barcelona). Estas seriam saídas que fariam o time perder qualidade, obrigaria a direção a gastar com reforços para remontar o elenco, além da perda entrosamento conquistado no ano passado. Mas hoje (04/01) vejo o time do Grêmio com qualidade para lutar por mais uma Libertadores).

O São Paulo começa o ano com nomes importantes fora de campo (Rai e Ricardo Rocha) depois de mais uma temporada ruim, novamente fugindo do rebaixamento. A torcida têm razões de sobra para estar preocupada. Sente a ausência de títulos, mas hoje tem o receio de mais uma vez ter o time longe do protagonismo de outrora. A contratação de Jean mostra a insegurança no gol, principalmente pelas diversas mudanças no ano passado (com Sidão, Dênis e Renan Ribeiro). Fora isso existe o receio da saída de Hernanes, vital para a fuga do rebaixamento, mas que pode ter sua volta antecipada pelo seu time na China e a indecisão sobre a permanência de Pratto (River da Argentina devendo apresentar proposta até o fim da semana para compra do mesmo). O time paulista precisa definir seu elenco neste começo de temporada. Passar outro ano com vendas financeiramente boas, mas desmanchando o elenco ao longo do ano devem fazer com que novamente esteja longe de assumir candidatura séria à títulos.

Já no Rio de Janeiro a preocupação é ainda maior. O Fluminense também flertou com o rebaixamento e começa 2018 com serissimos problemas financeiros, colocando no mercado nomes importantes como Cavalieri e Henrique, devendo sofrer assédio pelas jóias da base e com Gustavo Scarpa praticamente fora do clube, forçando sua ida , com seu nome sendo vinculado aos três grandes da capital paulista. Infelizmente este prejuízo financeiro deve impactar o ano nas Laranjeiras e obrigar Abel a montar um time com limitações pensando em um primeiro momento em continuar na série A. Pouco para um time com a grandeza do Flu, mas condizente com a situação caótica pela qual o time carioca passa.

Expectativas ruins para 2018

O intervalo entre o fim e início de temporada sempre foi um prato cheio para as especulações em relação às mudanças nos elencos dos clubes brasileiros. Quem sai? Quem fica? Quem pode vir? Os jornais e programas esportivos tinham um cardápio vasto para abordar.

Mas este último intervalo foi pobre. Igual às finanças de muitos times por aqui. Poucas saídas (mas levando em conta que a janela para o exterior acabou de abrir), o que mais me surpreende é a diminuição que tivemos em relação tanto a contratações como as especulações. Poucos reforços contratados e uma queda até nas especulações de jogadores que poderiam reforçar os times. Nenhum jogador de peso nem mesmo para “vender manchete”. O foco foi em nomes de veteranos e temos apenas indecisões sobre o técnico Rueda, uma possível volta de Adriano (o “Imperador”) e o nome de maior “cotação” no mercado é Gustavo Scarpa, um meia de qualidade, mas que em outras temporadas seria “apenas” um nome bom para reforçar o elenco, sem o status de contratação de peso que hoje ele possui pela falta de opções no mercado.

Preocupa o que pode esperar para este ano, principalmente ao pensar que nesta temporada teremos o menor tempo de pré-temporada por conta dos estaduais e levando em conta também a quantidade de competições que alguns clubes irão disputar com datas próximas que com certeza vão prejudicar quem não conseguir ter um elenco equilibrado. E neste ano a Copa do Mundo nem deve ser considerada como um fator de impacto. Basta pensar que poucos clubes no Brasil hoje possuem jogadores que são cotados para a Copa na Rússia.

O foco natural recai para os times que vão disputar a Libertadores, por mais que a Copa do Brasil deste ano tenha um atrativo financeiro importante pelo aumento da premiação. Acho difícil que o Corinthians repita a campanha surpreendente do ano passado, salvo alguma loucura financeira caso Andrés assuma a presidência e invista em reforços para um time forte que force Carille a apostar em uma das competições. Mesmo com aporte financeiro , duvido que o alvinegro paulista consiga ter um elenco para disputar mais de uma competição em alto nível. Situação parecida com a do Santos, que sofre com problemas financeiros, tendo inclusive passado por dificuldades para fechar a rescisão do contrato de Jair Ventura. Com estas indefinições e com um elenco que sofreu desfalques, acho que o ex-técnico do Botafogo deverá ter trabalho. Caso não apareça nenhuma nova joia na Vila Belmiro, os torcedores santistas podem esperar um ano complicado principalmente por conta da saída de jogadores importantes, como Ricardo Oliveira, Lucas Lima e Zeca. Os nomes cotados para o ataque não me parecem suficientes para colocar o time em outro patamar (Barcos, Robinho e Gabigol).

Palmeiras , Cruzeiro e Flamengo, de formas distintas, são os clubes que merecem ser acompanhados com atenção, cada um a sua forma. Roger chega no Palmeiras pressionado, precisando mostrar trabalho em um time que investiu pesado no ano passado e que nesta temporada investiu pontualmente , com um valor menor, mas que ainda o destaca como time com potencial para contratações. Não ter conquistas em 2018 será motivo de pressão, tanto interna como externa. Torcida e Crefisa não devem aceitar mais uma temporada sem nenhuma conquista. Arrisco dizer que nem mesmo um possível estadual seja suficiente. A torcida deverá pressionar por sucesso na Libertadores ou uma das competições nacionais (Brasileiro ou Copa do Brasil). O Flamengo começa a temporada com a indecisão sobre Rueda, que ao que parece deve realmente sair e ir para a seleção chilena. Esta situação atrapalha em termos de reforços, principalmente no ataque, onde a suspensão de Guerrero deixa a direção em dúvida se aposta em Vizeu como “homem gol” para a temporada ou se procura algum centroavante no mercado. Independente do técnico, é outro clube de peso que será pressionado para conquistar título neste ano. E também será “exigido” para ter sucesso na Libertadores ou em uma das competições nacionais.

Por conta disso e pelos reforços pontuais contratados, acredito que o Cruzeiro seja o time que pelo menos no papel me parece mais preparado para conquistas neste ano. Ter mantido Mano Menezes e seu elenco podem ser diferenciais importantes para o time, mesmo que a contratação de Fred possa ser arriscada e mudar a forma do time jogar. Mas mantendo os seus principais nomes do elenco, me parece difícil não apostar as fichas para que o Cruzeiro entre como favorito nas competições deste ano. Ótimo para a torcida celeste e péssimo para os rivais atleticanos.

Quando o futebol nacional voltará a ser respeitado?

A aposentadoria de Kaká é significativa para evidenciar o abismo que hoje vivemos no cenário nacional. Já se passaram 10 anos que tivemos o agora ex-jogador eleito o melhor do mundo depois de liderar o Milan ao título da Champions League. Depois disso apenas assistimos ao domínio Messi / Cristiano Ronaldo e mais algum terceiro colocado, sem ninguém que se destacasse de fato.

E aí notamos algo. Parece que o simples fato de pisar em terra estrangeira já e suficiente para que os jogadores mudem sua mentalidade. Lá fora existe a preocupação em envolver os jogadores na partida como um todo. Mostrar a importância da parte técnica / física / tática, a importância do grupo e não do indivíduo. Não é por acaso que a maioria dos jogadores entendem mudanças táticas, entendem a necessidade de adaptações que podem levar bons jogadores a passagens pelo banco de reservas. Kaká foi para o Milan como uma promessa, mas o treinador Carlo Ancelotti viu no brasileiro potencial e barrou um empréstimo do meia que não tardou a assumir a titularidade de um melhores elencos que o time milanês teve em sua história.

Neymar parecia ter o que era preciso para voltar a colocar o Brasil em evidência quando chegou ao Barcelona e pareceu entender e compreender que precisava conquistar sei espaço aos poucos no time espanhol. Podia se aperfeiçoar e se destacar sem ter a obrigação de ser “o cara” do time (responsabilidade de Messi). Não por acaso, vimos jovem brasileiro ter destaque em jogos importantes, formando um tridente sul-americano de peso (com Suárez sendo importantíssimo). Mas a pressa e/ou falta de maturidade do brasileiro fez com que ele optasse por buscar novos ares no PSG ao invés de esperar sua vez chegar naturalmente no Barcelona. Hoje o atacante já sofre com problemas no time francês e já tivemos até especulações sobre sua saída.

Hoje acredito que nosso foco deva ser em cima de Gabriel Jesus. Tecnicamente talvez um pouco abaixo de Neymar, mas um atacante que teve no Palmeiras um inicio sem pular etapas, com a subida para o time titular sem pressa, chegando ao Manchester City com moral e com respaldo de Guardiola e hoje é titular no time inglês com méritos. Com o atual técnico e com o trabalho de Tite, arrisco que podemos ter no ex-ataque alviverde o nome de destaque mundial na Copa do Mundo do ano que vem, desbancando até Neymar. Aposta arriscada, eu sei, mas não posso ficar em cima do muro.

Real vence o Mundial e aumenta o abismo entre futebol europeu x futebol sul-americano

De um lado um time querendo fazer história. Buscando uma conquista que a cada ano se torna cada vez mais improvável pela diferença técnica evidente entre Europa x América do Sul. Do outro lado um time europeu “cumprindo tabela” para um jogo visto por eles quase como um amistoso de luxo. Ninguém gosta de perder, mas a conquista deste título não é comemorada pelos jogadores e torcedores europeus.

O Real fez suficiente para ganhar a partida frente o Grêmio. Um placar de 1 x 0 que chega a ser mentiroso ao analisar o jogo. O time de Madrid teve diversos jogadores com atuações abaixo da média. Na primeira etapa os goleiros foram meros coadjuvantes em campo. No segundo tempo, bastou alguns jogadores como Modric e Cristiano Ronaldo melhorarem um pouco para a partida ficar em sua normalidade. Uma cobrança de falta onde a barreira abriu foi responsável pelo gol solitário do Real, marcado por CR7.

Grohe evitou que o placar fosse ampliado, com pelo menos 4 defesas complicadas, ao passo que Navas continuou assistindo o jogo de uma posição privilegiada. Quem ficou sabendo apenas o placar final pode achar que o jogo foi equilibrado e por pouco o time brasileiro não conseguiu melhor sorte no jogo. Mas o fato é que o Grêmio ofereceu menos perigo do que o Al Jazira (no jogo onde Romarinho fez um gol histórico pelo time árabe). O time brasileiro tinha que jogar de igual para igual? Claro que não. Mas poderia pelo menos ter tentado jogar. Uma finalização a gol (em cobrança de falta) foi muito pouco para ao menos tentar um milagre. Basta pegar o histórico das conquistas sul-americanas. O título foi conseguido em jogos de ataque contra defesa onde os goleiros fizeram milagres e o placar aberto em lance quase de sorte.

A audiência não foi das maiores e o torneio não “pegou” na Europa. Tanto que existe uma corrente forte para mudança na fórmula de disputa envolvendo mais europeus e desta forma tendo duelos um pouco mais equilibrados. Da forma como a competição está sendo disputada, um título na América do Sul continuará sendo algo raro. Para equilibrar um pouco a curto prazo, seria mais fácil termos as seleções da América do Sul (Brasil, Argentina) contra os gigantes europeus. Talvez assim os duelos fossem mais equilibrados.

PSG x Real Madrid. Um duelo de peso que promete parar o mundo

O sorteio das oitavas da Champions League costuma trazer algumas surpresas e duelos complicados. E sem sombra de dúvidas o confronto mais esperado será entre o Real de Cristiano Ronaldo x Paris de Neymar. Do lado espanhol um time estrelado, com um grande técnico e um craque mais que consolidado como um dos melhores do mundo. Do outro, um time francês com sinais de problemas interno, com um técnico que balança no cargo e um jogador que saiu da Espanha em busca de sua afirmação como craque.

Duvido que algum dos times sonhasse com um sorteio deste peso nesta fase do campeonato. É um duelo que seria facilmente uma final de competição, mas que nos brindará com duas boas partidas logo depois da fase de grupos que devem ter a atenção da mídia e de quem gosta de futebol por todo o mundo. Como temos um certo tempo até estas partidas, não analiso o técnico atual do Paris, que pode nem chegar a participar deste duelo.

O foco nesta partida estará nas duas estrelas. Por mais que ambos tenham companheiros de qualidade em seus clubes, é um típico duelo onde se espera que o craque do time coloque a bola embaixo do braço e decida a classificação. No lado espanhol temos um time com elenco equilibrado e já calejado para dar apoio ao CR7. que pode tranquilidade para jogar e fazer seu trabalho. Algo que não se aplica ao brasileiro.

Sofre logo na primeira temporada pelo time francês com problemas de relacionamento no elenco e longe de ser decisivo nas partidas onde se esperava que ele assumisse o protagonismo. Tal fato só servirá para pressionar ainda mais o atacante. Em compensação é uma chance de ouro para que Neymar tenha uma atuação em alto nível frente um adversário de nível mundial. Uma atuação memorável deixa de lado ou pelo menos ameniza as críticas pelas quais o jogador passa.

Comparando os dois times e a fase dos grandes destaques, não tenho como ficar em cima do muro. E afirmo que o Real é favorito em um duelo complicado e devemos ter Cristiano Ronaldo mantendo o time firme na luta pelo título e o Paris novamente tropeçando na maior competição entre clubes, mostrando que apenas dinheiro não é suficiente para formar um time vencedor.

Argentinos jogando mais que os brasileiros. Passou da hora de assumir (e mudar isso)

Durante muitos era um consenso que para ganhar uma competição sul-americana, nós (brasileiros) teríamos que superar os rivais na bola e na raça. Principalmente para superar a catimba e “manha” dos adversários. Isso era uma realidade na última década. Tecnicamente nossos jogadores eram nitidamente melhores, se destacavam na América Latina. Estrangeiros latinos jogando por aqui? Nada de veteranos ou apostas de qualidade discutível . Não tínhamos condições de trazer os craques consagrados, mas várias vezes atraíamos promessas ou jogadores com perfil / qualidade para atuar em grandes times europeus.

Aos poucos este cenário foi mudando. Com exceção de jovens promessas , vemos nossos jogadores perdendo espaço para jogadores de países vizinhos, como Argentina, Uruguai e Chile. Deixamos de ser um centro formador. Deixamos de nos destacar. Hoje os times enxergam qualidade em jogadores mais novos do Brasil e sabem que estão contratando jogadores que precisam ser lapidados. Casemiro é um dos maiores exemplos disso. Saiu pela porta dos fundos no São Paulo e hoje é um dos melhores jogadores do Real Madrid. Só que acompanham o jogador durante muito tempo e fazem apostas mais restritas. Deixamos de ter a quantidade absurda de jogadores atuando nos grandes centros europeus.

E nesta temporada tivemos alguns bons exemplos que mostram que precisamos reconhecer a inferioridade momentânea e trabalhar em cima disso. O último exemplo que vimos foi na final da Copa Sul Americana. O Flamengo se preparou para guerra no primeiro jogo e foi surpreendido ao encarar um Independiente que se focou em jogar bola e com qualidade. Um time bem treinado e com qualidade na troca de passes, que não se preocupou ou se desesperou, mesmo saindo atrás no placar.

A virada veio sem sustos e de forma merecida. E o placar de 2 x 1 ficou barato para o time brasileiro, que poderia ter sofrido uma derrota por um placar ainda mais elástico, que complicaria muito o jogo de volta. Claro que o time carioca pode reverter o placar no jogo de volta e sair com o título da competição. Mas o fato é que tecnicamente e taticamente estamos em patamar abaixo dos hermanos. O Grêmio foi a rara exceção nesta temporada, mas temos que lembrar que o título da Libertadores veio com sustos, principalmente nos jogos em casa contra o Barcelona do Equador e o argentino Lanús.

Vamos, vamos Chape!

A rodada de fechamento do Brasileirão lembrou as peladas de casados x solteiros que ocorrem no fim de ano. Times sem grandes preocupações e jogos interessantes de assistir, com vários gols (média de 3 gols por partida). Perigo de rebaixamento para alguns e chance de vaga na fase pré-Libertadores para alguns. E a Chapecoense fechou o campeonato em grande estilo, novamente fazendo história. Um ano depois do grave acidente da temporada passada, tivemos a conquista da vaga na pré-Libertadores de 2018, nos acréscimos, em jogo que também culminou no rebaixamento do Coritiba.

Não é garantia que o time vá disputar a competição no ano que vem. Principalmente pela quantidade de times que vão estar na competição nesta fase. A partir da próxima edição, devemos ter vários clubes sofrendo nesta fase. Mas é gratificante saber que um ano depois de uma tragédia tivemos o time de Chapecó se reerguendo em campo. Na bola. Aceitando a ajuda de outros clubes que emprestaram jogadores de menor expressão, mas que foram importantes na campanha de 2018. Reinaldo foi um exemplo de jogador emprestado pelo São Paulo, que volta valorizado, depois de um bom campeonato.

Recusar ser “café com leite” foi algo arriscado, mas que mostra grandeza dos dirigentes antes do campeonato começar. E que só aumentam o tamanho do feito do time. O time não só conseguiu se livrar do rebaixamento, como teve a melhor campanha no returno e conseguiu uma histórica oitava posição.

Sorte? Sim, bons resultados também dependem de uma dose de sorte, mas não apaga o trabalho sério que foi feito ao longo do ano. Que deve ser elogiado e usado como exemplo para outros clubes. Uma campanha que tem um capítulo ruim por conta da lambança que foi feita na Libertadores, onde por erro na escalação , o time foi eliminado da fase de grupos, ao invés de continuar vivo na competição.

Torcer agora para que o time não repita o que aconteceu com o São Caetano, que também teve um desempenho louvável e caiu ao longo dos anos. Seria ótimo para termos a prova que trabalho sério pode dar resultado no Brasil.

Bah guri. América agora é gremista!

Renato Gaúcho cumpriu com o que prometeu antes do segundo jogo da final. O Grêmio começou o jogo forçando a marcação no setor de ataque, com sua linha ofensiva pressionando e empurrando o time do Lánus para a defesa, sem encontrar espaços para criar jogadas e conseguir o gol necessário para pelo menos levar a partida para as penalidades. Esta mudança pegou o time argentino de surpresa e não tardou para o clima de empolgação e confiança dar lugar a preocupação nas arquibancadas , onde o grito tricolor era facilmente ouvido pelos 5 mil torcedores presentes, contrastando com o silêncio da torcida mandante.

A bola queimava no pé. Grohe assistia a partida de lugar privilegiado. Geromel novamente sendo um monstro na zaga (continuo sem entender o motivo pelo qual Tite não o convoca). Bressan , Arthur e Luan pareciam veteranos jogando um amistoso e não uma final de Libertadores.

O título chega com heróis improváveis. Cícero teve estrela no primeiro jogo. Já ontem o destaque ficou para Fernandinho. O roubo de bola e o arranque em velocidade que só parou com finalização precisa para o gol deram uma maior tranquilidade para o time gremista. Bom? A situação ainda ficaria ótima depois de uma jogada de craque de Luan, saindo facilmente da marcação e dando uma linda cavadinha por cima do goleiro. 2 x 0 (3 x 0 no placar agregado). Mesma situação do jogo da semifinal contra o River, mas com clara diferença de posturas. O time brasileiro focado, sem cair na provocação e os argentinos claramente sentindo o peso do jogo.

Contusões de Bressan e Arthur e expulsão de Ramiro. Situações que poderiam complicar o jogo. Mas não ontem. Não seria isso que iria tirar o título dos gaúchos. Com exceção do gol de pênalti (em falha de Jailson que chegou atrasado), o Grêmio passou a segunda etapa tranquilo, controlando o jogo. Na prática o time esteve próximo de ampliar a diferença de gols (Fernandinho e Luan em outra tentativa por cavadinha).

Um título merecido de um time que aliou a raça e marcação característica dos clubes do Sul com um futebol de qualidade e técnica, em um exemplo para os clubes brasileiros, que podem se espelhar e entender que é possível ganhar a competição, bastando se preocupar apenas em jogar bola.

Renato Gaúcho consegue feito inédito (campeão como jogador e como técnico) e ganha um título importante para sua carreira.

Agora é curtir a festa, aproveitar a conquista e ir para o Mundial torcendo para que o time consiga se superar e quem sabe ter uma sorte para bater o Real Madrid na final. Complicado com certeza, mas até lá, os gremistas podem e devem sonhar.

Adeus de Zé Roberto marca o fim de uma geração?

Lembro de um jovem que voava na lateral esquerda em uma Lusa que contava com vários nomes promissores e que infelizmente bateu na trave de um título de renome ao ser vice campeã do Brasileirão de 1996. Alguém que não teve sucesso no Real Madrid, passou pelo Flamengo e depois teve uma ida ao futebol alemão, onde colecionou títulos e acima de tudo respeito em um país onde poucos estrangeiros conseguem tal façanha.

Sua dedicação a vida de atleta e sua liderança natural fizeram com que o jogador conquistasse seus companheiros na Alemanha, Arábia e principalmente no Brasil. Não foi a toa que se destacou no Grêmio e Palmeiras, onde fez valer sua condição física e técnica para se destacar no meio de campo,” enxergando” os atalhos em campo e aguentando a intensidade de um jogo cada mais físico, mesmo em idade avançada para um jogador de futebol (no Grêmio o jogador chegou em 2012, prestes a completar 38 anos).

Fingindo que jogava? Longe disso. Ao contrário de outros veteranos que se destacaram no fim de carreira apenas pela técnica , Zé também aguentava o ritmo do futebol atual. 3 anos conseguindo jogar em alto nível. Mas o corpo sente. Em 2016 ele era mais importante como motivador do que em campo. O pique para acompanhar os adversários já não era o mesmo. Teve que auxiliar na lateral esquerda e a idade cobrava o preço. No fim do ano passado a decisão de se aposentar foi adiada. Talvez pela identificação com o Palmeiras. Talvez pela vontade de conquistar uma Libertadores pelo alviverde paulista. Mas a idade pesava. Não por acaso o jogador teve algumas atuações ruins quando precisou atuar, principalmente por uma má fase do time, que não fez uma temporada de destaque. Não poderia carregar o peso de ser um jogador decisivo. De ser a referência técnica em campo. Aceitou retornar a lateral esquerda pensando em ajudar o time, por mais que sua condição física não permitisse mais atuar nesta posição.

Estes fatos, somados a rotina de um jogador profissional e a vontade de estar próximo da família fizeram com que dessa vez a decisão fosse definitiva. E felizmente a despedida se deu com vitória em casa (infelizmente sem que o Palmeiras fizesse uma ação especial para esta partida). Um fim de carreira de um jogador que foi exemplo em vários sentidos. Alguém que se dedicou intensamente a vida de atleta. Seria ótimo, mas utopia, imaginar que a nova geração seguisse seus passos. Em uma época onde redes sociais e selfies são mais importantes que treinos e cuidados físicos, resta ter apenas a lembrança de um jogador que merece seu nome na história do futebol brasileiro e que vai deixar saudades.

Para quem não viu, acessem este link para a última preleção de um GIGANTE jogador.

Bom e barato. Gostaria destes jogadores em seu time?

Perto do fim de Novembro já temos o mercado de futebol aquecido, no que diz respeito as especulações de chegadas e saídas nos clubes brasileiros. A falta de poder financeiro dos clubes nacionais faz com que dificilmente aconteça alguma contratação de impacto. As únicas exceções que vejo neste primeiro momento dizem respeito aos times do Palmeiras e Flamengo, que aparentam ter condições financeiras para oferecer contratos vantajosos para algum jogador de peso que esteja querendo voltar ao Brasil.

Temos jovens promissores que podem seguir para clubes de fora, como Luan do Grêmio, Arana e Maycon do Corinthians (nomes que por hora foram citados na mídia estrangeira), mas vendas que devem servir apenas para equilibrar finanças , com apenas parte do valor (se possível) revertida para contratações. Com isso novamente o foco fica em jogadores baratos, principalmente aqueles que ficam sem contrato ao fim desta temporada. E a lista de nomes está longe de empolgar, mas levando em conta o nível do futebol atual, temos nomes que poderiam ser considerados em vários clubes, ao menos como opção de elenco.
Vamos a lista:

Goleiro – Dênis;
Laterais – Nino Paraíba, Pablo Armero, Egídio, Diego Renan e Thiago Carleto;
Zagueiros – Paulo André, Juan, Bressan e Breno;
Meio campo – Lucho González, Renê Júnior, Márcio Araújo, Pierre, Cícero, Lucas Lima e Renato Cajá;
Atacantes – Robinnho, Rildo, Fernandinho, Osvaldo, Alecsandro, Lucas Barrios, Júnior Dutra e Rafael Moura.

Poderíamos ter um time com Dênis, Nino Paraíba, Juan, Bressan e Thiago Carleto; Renê Júnior, Pierre, Cícero e Lucas Lima; Robinho e Lucas Barrios. Longe de ser um time forte, mas um time que bem treinado poderia dar trabalho.

E para vocês, qual ou quais jogadores gostaria que estivessem em seu time em 2018?

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