Verde da esperança

Quase uma semana do trágico acidente na Colômbia. O que no começo era choque, virou dor ainda em fase de cicatrização. Mas a dor vem acompanhada de alento.

As lágrimas que só carregavam tristeza hoje já permitem uma emoção diferente. A homenagem feira pelo Atlético Nacional e o povo colombiano foram ações que me deixaram sem palavras. Em um mundo marcado pelo egoísmo, marca presenciar atitudes assim.

Impossível assistir os jogadores do Atlético cantarem “Vamos, vamos Chape” após a vitória no último sábado sem se emocionar. Não sentir nada ao ver as homenagens pelo mundo todo. Das pessoas usando redes sociais para compartilhar estas ações solidárias. De presenciar as quatro torcidas de São Paulo juntas de forma inédita cantando pelo time de Chapecó.

Impossível escrever sem lembrar e sentir as lágrimas caírem. Sem emoção. Durante um tempo será assim. E isso me traz esperança de dias melhores. Tivemos uma tragédia de dimensão ímpar. E ela não deve cair no esquecimento. Mas pode servir de um estopim para algo maior. Mostrar que somos capazes de nos preocupar com o próximo. De que o esporte é acima de tudo para integrar as pessoas. Rivais sim, inimigos nunca.

Que nosso legado seja um mundo melhor . E que daqui alguns anos possamos contar com orgulho como uma tragédia esportiva foi capaz de mudar o mundo para melhor;

Futebol e suas emoções

Este é um dos posts mais difíceis que escrevo para o blog. Já passei por muitas situações, tive que ser imparcial em diversos momentos, tanto a favor como contra.

Acima de tudo, futebol envolve paixão, envolve sentimento. Sorrir por uma vitória, comemorar de foram efusiva uma conquista.

Chorar emocionado por uma conquista inédita. Sofrer por um rebaixamento ou eliminação.

Alegria, dor, tristeza, raiva. O futebol é mais que só um esporte. Mexe com o emocional. Desde uma pequena criança que se envolve pelo seu time até pelos mais velhos que carregam as histórias por toda sua vida.

Dentro de campo, emoções válidas. Naturais do ser humano. Naturais da rivalidade sadia entre clubes. Vira e mexe acontecem histórias de superação, de um clube pequeno que consegue uma chance de fazer história.

A Chapecoense tem uma história de conquistas. Como o clube foi sendo administrado corretamente , com conquistas dentro de campo e como o clube conseguiu sua superação neste ano e rumava para uma final sul-americana inédita, em mais uma linda página desta história.

E infelizmente, histórias também têm páginas tristes. Sofri ao saber do acontecido. Indo dormir tarde por motivo de trabalho e madrugada com o baque sobre o acidente e ansioso por saber notícias.

Começar a terça-feira com a noticia de mortes confirmadas me fez perder o chão. Procurar por informações, entrar em sites e querer saber mais. E ter aquele aperto no peito, sofrer a distância e pensar no quanto quem tem envolvimento emocional com os passageiros deve estar sofrendo.

Escrevi este texto com lágrimas nos olhos. Uma história tão bonita não podia acabar assim. O futebol fica para escanteio neste momento.

A ficha não caiu. Mas vamos deixar que a última lembrança deles sejam este vídeo gravado depois da classificação para a final. Eles merecem esta homenagem.

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Palmeiras só perde o título para si mesmo

O jogo contra o Internacional tinha tudo para ser complicado, mesmo com o time gaúcho ameaçado pelo rebaixamento. Mas o resultado magro acabou sendo muito mais por conta de jornada ruim dos seus atacantes.

O Inter quase não ameaçou a vitória alviverde, mesmo precisando de pelo menos um empate. Quem lamentou o resultado foi o Santos, que surpreendentemente assumiu a vice liderança e poderia ter terminado a rodada com apenas três pontos de distância para o líder.

Justamente o Santos que ao vencer o clássico contra o Palmeiras deu um gás no campeonato , mas nem Flamengo e nem Atlético-MG conseguiram aproveitar o tropeço. O time da Vila Belmiro tem todo o direito de sonhar com o título, nas precisa secar demais o time de Cuca.

E o alviverde mesmo não dando show parece não dar mostras que vai deixar o título fugir pelas mãos. Futebol consistente e regular. Time que não será lembra pelo futebol vistoso, mas que tem tudo para conseguir merecido título.

Goleada para lavar a alma

Ganhar de goleada sempre é uma delícia. Em cima de um de seus principais rivais então, é assunto para qualquer conversa de bar por um bom tempo (normalmente até a próxima goleada). Neste último sábado mais um clássico entre São Paulo e Corinthians escreveu mais uma página importante na história.

O Corinthians passa por um 2016 para esquecer. A vaga na Libertadores pode ser conquistada mais por sorte e falta de clubes qualificados do que pelo que o time apresenta em campo. Mal com Cristóvão, pior com Oswaldo de Oliveira.

Do lado do Morumbi, a expectativa era sacramentar a permanência na série A. Mas nem o mais otimista tricolor ou o mais pessimista alvinegro esperaria o placar de 4 x 0 a favor do São Paulo, em partida onde o mandante arrasou seu rival em casa, em show de Cueva, com gol e três assistências.

Ricardo Gomes viu suas apostas darem certo, principalmente com os jovens da base e se a pontaria estivesse melhor a goleada teria números ainda maiores. Depois de um ano conturbado, o time agora entra na “zona do limbo” e espera chegar 2017 com boas expectativas com relação a base formada, mesmo sabendo que o time não irá disputar a Libertadores.

Do lado rival o resultado complica ainda mais o ambiente. Osvaldo mal assumiu e já é muito questionado, principalmente pelo fato da defesa do Corinthians não ser sombra da muralha de anos atrás. Só não está em situação pior do que Roberto de Andrade, que peca por apostas questionáveis tanto de jogadores como no corpo diretivo e que a cada rodada perde o apoio internamente.

Vasco com sérios problemas

A série B sempre foi vista como um ano de purgatório para os grandes clubes rebaixados, com a classificação normalmente acontecendo sem grandes sustos e o “título” sendo conquistado com rodadas de antecipação , de forma que o calvário durasse pouco.

O mesmo era esperado pelo Vasco neste ano e durante boa parte da competição o time correspondeu. Nenê comandando o time que não perdia e parecia que inclusive iria bater marcas importantes na competição. Mas aos poucos os tropeços começaram a aparecer. Pontos perdidos que não preocupavam deram lugar a nuvens de preocupação.

Nuvens que ficaram ainda mais negras quando o time da Colina perdeu a liderança para o Atlético-GO. Nuvens que viraram tempestade a medida que os resultados negativos já não preocupam mais pela perda do título. Hoje faltando apenas quatro rodadas para o fim da Série B, o te Carioca vê seus rivais próximos. Náutico e Londrina (com 54 pontos, 4 atrás do Vasco) hoje ameaçam seriamente a situação vascaína. O jogo de amanhã contra o Luverdense pode deixar o time em maus lençóis, perto de um feito inédito, que seria a permanência na série B por mais um ano.

Ser rebaixado já é uma mancha para qualquer clube. Ser rebaixado por duas vezes é algo que dói para qualquer torcedor. Mas não conseguir a conquista do acesso seria algo inesquecível para uma história tão vitoriosa. A tabela não parece ser tão complicada. O problema é o emocional dos jogadores. Impossível passar ileso numa situação delicada como a atual

Pontos corridos tem final sim senhor. Qualquer resultado que não seja vitória amanhã pode complicar as coisas pelo lado de São Januário.

Até quando a arbitragem vai ser “destaque”?

Palmeiras com uma rodada perfeita, luta acirrada pelas vagas na Libertadores e briga para fugir do Z4. Opções diversas para focar apenas no futebol. Mas infelizmente a arbitragem foi destaque no fim de semana mais uma vez.

Ouço muitos opinarem que a tecnologia tiraria a graça do futebol, das discussões que norteiam as conversas de bar e que dão tanto assunto para vários programas esportivos. Sou a favor do uso de recursos tecnológicos para esclarecer lances polêmicos. Acho absurdo o Fluminense brigar por um gol irregular e ter o “apoio” do Palmeiras.

Como também acho absurdo que os dois com clubes citados acima ignorem quando a ajuda é a seu favor. Quem dera os dirigentes também tivessem a mesma postura quando o erro fosse a favor. Que os torcedores soubessem reconhecer quando seu time fosse beneficiado , sem tirar sarro. E claro, gostaria que isso fosse postura de todos os times.

Infelizmente este cenário é utópico demais. Ao invés de união para profissionalizar a arbitragem, para pressionar para implementar de uma vez só o uso de recursos tecnológicos e parar de uma vez por todas com discussões por algo menor os dirigentes preferem manter a postura submissa à CBF, aceitar os mandos e desmandos e procurar apenas os seus interesses. Olho este cenário e fico triste por perceber a distância que estamos dos clubes europeus ou mesmo do que é feito por exemplo na Argentina.

Dá até vergonha de dizer que nosso futebol é profissional.

Da água para o vinho

Como é possível em tão pouco tempo termos tanta diferença entre a seleção de Dunga e a seleção de Tite? Já foi notada mudança de postura nos primeiros jogos, onde a preocupação principal era conquistar pontos, melhorar a posição na tabela e voltar a recuperar a confiança dos jogadores.

Contra um adversário mais fraco, a expectativa era outra. Esperado que a seleção aliasse a vitória com um futebol bem jogado. Uma escalação com Coutinho ganhando o lugar de Wiliam, Fernandinho no lugar de Casemiro e Giuliano no lugar de Paulinho. Uma escalação ofensiva, sendo que o último foi uma aposta de Tite, visto que o meia não estava com destaque quando estava no Grêmio.

A aposta para muitos foi algo acertado, principalmente pelas boas atuações do jogador pelo Zenit.

Claro que muito do jogo foi facilitado pela marcação pressão e a abertura do placar em roubada de bola por Neymar, troca de passes com Gabriel Jesus e finalização tranquila do atacante do Barcelona.

O segundo gol não demorou a ser marcado, em linda jogada que contou com passe primoroso de Daniel Alves, ótima finta de Giuliano e finalização precisa de Coutinho.

2 x 0 com menos de 30 minutos e jogo decidido. Restava saber se o time iria manter o ímpeto ofensivo, ao passo que os jogadores bolivianos começaram a ficar com os nervos a flor da pele, principalmente por Neymar, com a postura de dribles desnecessários quando o placar favorece.

O cartão amarelo levado pelo jogador foi barato. O atacante entrou na provocação e dos adversários e poderia ter sido expulso ainda no primeiro tempo.

Exceto este lado negativo, só temos elogios ao que foi apresentado pela seleção, com um primeiro tempo que terminou com uma ótima vitória por 4 x 0 (com dois gols marcados por Filipe Luís e Gabriel Jesus). O segundo tempo, como era esperado, apresentou uma diminuição do ímpeto ofensivo sendo que tivemos apenas um gol, marcado por Firmino, finalizando o placar por 5 x 0.

Brasil jogando como Brasil. Estávamos com saudades.

São Paulo e sua primeira “final”

Faltando 10 rodadas para o campeonato chegar ao fim, estaríamos chegando na fase de definições claras sobre o que cada clube ainda disputa na competição. Se a liderança encontra-se restrita a Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG e temos dois clubes já imaginando a série B em 2017 (América-MG e Santa Cruz), temos uma zona da bagunça para vários clubes.

Por conta do inchaço na Libertadores do ano que vem, hoje não temos nenhum clube que esteja em “ponto morto”. E o São Paulo tem na Ilha do Retiro o duelo que pode definir sua situação no campeonato. Se vencer fora de casa, dependendo de outros resultados, o tricolor paulista pode ficar com apenas 4 pontos de distância para o G6 e abrir 7 pontos para a zona da degola.

O oposto seria a derrota , com vitórias do Cruzeiro e Figueirense, que fariam o time perder duas posições e apenas um ponto de distância do Z4, já que seria ultrapassado pelo próprio Sport e pelo Cruzeiro. O psicológico neste caso seria seriamente abalado e a pressão da torcida aumentaria de forma absurda, deixando a situação do clube paulista extremamente complicado.

Por isso o jogo desta noite promete. Em campo, o final de 2016 do São Paulo.

Acertos e erros na mudança da Libertadores em 2017

Um acerto certeiro, um duvidoso e um tiro no pé. Assim podemos definir as mudanças realizadas na forma de disputa da Libertadores à partir de 2017.

Considero um acerto a decisão da competição contemplar o ano inteiro. Ela tem um charme próprio que vale a pena ter a mesma estendida, mesmo que isso signifique o inchaço da competição (próximo item a ser abordado). Importante citar que esta mudança pode impactar negativamente na qualidade dos times, já que a janela de meio do ano pode desfalcar seriamente times ainda na disputa. Por outro lado o aumento da duração pode ser um atrativo ainda maior para que os clubes lutem para manter seus principais jogadores por pelo menos uma temporada inteira.

Além disso, o Brasil terá sérios problemas por conta do calendário. Teremos uma oportunidade de ouro para ajustes em algo que já deveria ter sido feito há anos. Sem isso, as chances brasileiras tendem a despencar, se pensarmos que teremos clubes dividindo atenção com outras competições. Copa do Brasil e Brasileirão deverão ser ajustados e a não ser que sejam montados super elencos, dificilmente teremos um time ganhando o Brasileiro e Libertadores, por exemplo.

O item duvidoso diz respeito ao nível técnico da competição. Hoje não temos um campeonato que prima pelo nível técnico. Aumentando o número de participantes temos a tendência da qualidade cair ainda mais. Chance de zebras, mas com chances ainda menores de vermos um clube sul americano jogar o Mundial sem ser considerado azarão no confronto.

Por fim , a mudança da final para jogo único e em campo neutro é a decisão que mais me desagradou. Uma
cópia do que temos na Europa, na Liga dos Campeões, ignorando completamente o poder aquisitivo dos países envolvidos na competição. Você iria assistir uma final entre Once Caldas e Cerro Porteño no Morumbi? Quantos brasileiros iriam apoiar seu time de coração em um jogo no Equador? Podemos aplicar a mesma lógica a nossos vizinhos continentais.

Tal decisão tende a esvaziar a decisão em um primeiro momento. Por mais que fanáticos estejam dispostos a viajar pelo seu clube, não vamos ter nenhum super time capaz de atrair atenção do público local.

Santos sobra no segundo tempo e leva a vitória no clássico alvinegro

O clássico alvinegro proporcionou dois tempos distintos de um bom jogo na Vila Belmiro, onde prevaleceu o ímpeto santista que buscou a vitória e merecidamente saiu de campo com os três pontos.

A primeira etapa começou com um Corinthians bem postado e buscando o gol. Rodriguinho (contestado pela torcida) e Marlone (pedido há tempos pela torcida) tiveram atuações de destaque, participando dos principais lances ofensivos. Não foi por acaso que o gol nasceu de jogada trabalhada por ambos, com Marlone finalizando com precisão e abrindo o placar.

Não é exagero afirmar que o 1×0 saiu barato para o Santos, que sofreu inclusive com vaias da torcida ao fim do primeiro tempo. Só que a segunda etapa mostrou uma inversão de comando, graças aos dois treinadores. Dorival conseguiu mexer no posicionamento ofensivo do Peixe , que desde o começo do segundo tempo sufocou o Corinthians em busca de seu gol, ao passo que Cristóvão não conseguiu manter seu time com a mesma postura, recuando demais, dando campo para o domínio santista.

Mesmo assim, o placar seguida inalterado até um lance infeliz de Vilson, que cometeu penalidade a favor do Santos. Vítor Bueno assumiu a responsabilidade e converteu com precisão , empatando a partida.

A entrada de Willians foi a pá de cal contra o Corinthians. Colocar um volante no lugar de um meia fez com que o Corinthians jogasse pelo empate e que o Santos buscasse o segundo gol com ainda mais ímpeto. E de forma merecida, próximo ao fim do jogo, o segundo gol foi marcado com Renato, decretando a vitória santista, em resultando importante para interromper a sequencia de 4 derrotas consecutivas e voltar a se aproximar do G4.

Isso sem esquecer de citar que a vitória foi conquistada em jogo onde Dorival teve desfalques importantes (Lucas Lima, Vitor Ferraz e Ricardo Oliveira), algo que serve como fator motivacional.

Do lado do Corinthians,a derrota entra na conta de Cristóvão. Não dá para culpar o treinador com relação ao desmanche, mas as substituições foram equivocadas e custaram 3 preciosos pontos, além da moral que ocorre ao vencer um clássico regional.

Esta semana inclusive pode complicar ainda mais a situação do técnico, já que encara o Palmeiras no próximo fim de semana. Nova derrota para rival regional pode custar o emprego do técnico.

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