Futebol é apenas reflexo da sociedade

Poderia estar usando esta coluna para falar de um sopro de esperança que aconteceu no Atletiba, falar sobre começos de temporada promissores para alguns clubes do RJ ou entrar na situação dos novos técnicos em SP. Mas infelizmente neste começo de ano já temos diversos motivos para nós frustrar. Não com o futebol, mas com a sociedade como um todo.

Sim, achei que após o acontecido com a Chapecoense, teríamos um estalo na mente das pessoas, teriam um futebol mais humano. E o que estamos presenciando é justamente o contrário. “Comemorando” que ainda não temos caso de mortes no futebol paulista, pois já temos diversos casos que hoje não impactam mais. São apenas números em uma estatística que a cada ano se torna mais fria, que não comove nem gera revolta.

Mas não vamos cair na tentação de pensar que se trata de algo apenas do futebol. Enquanto o povo colombiano deu uma aula de cidadania, nossas ações de compaixão ficaram praticamente restritas a mensagens em redes sociais. A impunidade que impera faz com que tenhamos que conviver com histórias de uma sociedade que a cada dia parece mais longe de recuperação. Vide o que foi presenciado no Espírito Santo quando a polícia local entrou em greve. A falta de vontade de quem está no poder, seja quem for preocupa. Independente de partido, nada muda, muito por falta de interesse, muito por vontade que as coisas não mudem.

Este é o ponto principal. A falta de consciência de que quem precisa agir e provocar mudanças é quem coloca estas pessoas no poder. Me preocupa saber que no atual ritmo uma mudança não aconteça de forma pacífica e suave, mas sim de forma violenta e desordenada. O exemplo disso é novamente o que aconteceu em ES. O povo se vou com liberdade para barbarizar de forma violenta e durante um bom tempo o que foi ouvido era que o governo não sabia como controlar este levante.

Será que mudanças só vão acontecer quando alguém do alto escalão for assassinado por alguém do público “normal”? Rezo para que isso não seja o ritmo, que não seja a situação final. Rezo para que o futebol seja um reflexo futuro de uma sociedade onde a justiça pelo menos seja respeitada.

Fifa deve ser ignorada no caso sobre os campeões mundiais

Recentemente a Fifa “decidiu” que seriam considerados campeões mundiais aqueles que venceram as competições organizadas pela mesma a partir de 2000.
O assunto como esperado gerou discussões como esperado. Aqueles que “perderam os mundiais”contra a Fifa e do outro aqueles que “defendem” que a entidade que gerencia o futebol seria a referência para qualquer assunto do futebol.

Tirando o lado da rivalidade de lado, chega a ser ridículo levar em consideração a opinião de uma entidade envolvida em tantos casos de corrupção se ache no direito de decidir que tantos times de qualidade incontestável do passado de uma hora para outra “percam” seus títulos mundiais. Só para falar em termos brasileiros, qual a justiça de retirar títulos do Flamengo do Zico, do ótimo São Paulo de Telê e principalmente, mexer em qualquer título conquistado pelo Rei do Futebol?

Já falei a respeito deste assunto em outras colunas anteriores. A qualidade inegável e incontestável destes times deixa claro que se existisse competição similar na época destes clubes organizada pela Fifa, dificilmente eles não teriam vencido a competição. Fora isso, é importante citar que antigamente os clubes europeus levavam extremamente a sério a conquista do mundial, algo que hoje em dia não é realidade.O ponto alto para os europeus se refere-se apenas a vencer a Liga dos Campeões. O mundial nos últimos anos é quase algo protocolar e que pela diferença técnica vem sendo quase um amistoso de luxo.

Dirigentes que se preocupam apenas com dinheiro (prova disso é o inchaço da Copa do Mundo) não podem ser levados a sério. Dar razão a Fifa apenas pelo fator “rivalidade” é pensar pequeno demais. É necessário valorizar e respeitar grandes clubes do passado.

A Fifa? Ignorem. Porque daqui alguns anos eles vão mudar de novo esta opinião.

Por que não focar em preparar melhor os jogadores da base?

Olá pessoal. Depois de um período de férias cá estou eu de volta ao site. Volto com esta coluna falando sobre a Copinha que a cada ano parece perder atrativos, por conta do inchaço de clubes e que infelizmente também perde a oportunidade de desenvolver jogadores e principalmente pessoas melhores desde à juventude.

É verdade que por conta de problemas administrativos, muitos clubes hoje estão dando oportunidade aos jovens no elenco principal. Não por conta de um planejamento bem feito, mas sim por necessidade. E deixam de lado o fator humano. Uma competição de juniores deveria ter o foco em dar oportunidades, sem colocar pressão por resultado e títulos.

Existem exceções é verdade, mas a maioria dos jogadores tem o foco na vitória a qualquer custo e desde a base já criam vícios ruins. Um exemplo foi no jogo entre Botafogo e Mirassol, onde o time do RJ conseguiu a classificação por dois erros da arbitragem, sendo o mais grave uma penalidade que não aconteceu, com simulação do lance por parte do atacante carioca.

Ao fim da partida, o jogador deu a típica declaração de quem simulou o lance, “afirmando” que sofreu a falta (que não ocorreu e foi fora da área) e que o importante foi ter conquistado a classificação.

OK, a arbitragem é um problema crônico e não só no Brasil, mas não seria mais fácil se desde a base os jogadores fossem preparados para atuar de forma séria, evitando a “malandragem”em lances assim, evitar tentar tirar vantagem a todo custo? Seria tão mais simples e uma ação que traria benefícios a todos.Os árbitros saberiam que lances de simulação seriam raros e teriam mais convicção para marcar faltas e o futebol ganharia em qualidade.

Utopia? Não acho. Prefiro pensar que é falta de vontade , do fato da maior parte estar preocupado em ganhar de forma imediata e não pensar no que pode conseguir a longo prazo. Mas ainda acredito que mudanças podem acontecer. Se não for para acreditar, prefiro desistir de acompanhar o futebol.

M1to ou mic0?

A saída de Ricardo Gomes do comando técnico do São Paulo era esperada, principalmente depois dos boatos e barulho que tomaram conta do dia a dia nos lados do Morumbi. A “indecisão” sobre Ceni só fez com que o agora ex-técnico não tivesse paz e esperasse pelo inevitável desligamento. Para o torcedor são paulino a decisão foi quase como a conquista de um título.

Como pensar diferente ao saber que seu maior ídolo voltará a representar seu clube de coração? Impossível não sonhar com a repetição do sucesso dele em sua carreira como jogador. Ainda mais com sua aposentadoria recente. Muitos do atual elenco tricolor jogaram com ele ou pelo menos tiveram convivência com Rogério e Isso tende a ser um fator positivo. Ele começará seu trabalho respeitado pelo elenco.

Mas e sua rotina como treinador? O quanto a preparação teórica de um ano será suficiente para um bom trabalho? Como será a pressão em caso de resultados ruins? A idolatria do mesmo pode jogar uma pressão exagerada em cima do elenco. Ou vocês acham que a torcida irá culpar Ceni em caso de uma sequência de tropeços?

Rogério sempre teve postura firme e seu amor pelo São Paulo é incontestável. Ele só aceitou o desafio por acreditar que está pronto para tal. Mas todos sabemos que o futebol é ingrato, principalmente no Brasil. Ok, ele começa seu trabalho com um torneio amistoso ( Flórida Cup) e depois tem na teoria um semestre tranquilo com campeonato paulista e fases iniciais da Copa do Brasil. Imaginem vexames logo no primeiro semestre? Sofrer derrotas humilhantes nos clássicos?

Em compensação, podemos ir no outro extremo. Um campeonato paulista com vitórias convincentes e invicto nos clássicos regionais. A moral do time irá lá em cima , Morumbi cheio e parecendo caldeirão a cada jogo. Sim, temos que pensar que a simples presença de Ceni será suficiente para levar o são paulino a lotar seu estádio.

Por hora, tudo é especulação, mas a certeza que temos é que a história de Rogério Ceni como treinador deverá ter a mesma marca do seu tempo de jogador. Os rivais torcendo por tropeços e os tricolores querendo que a história vitoriosa ganhe várias páginas

Verde da esperança

Quase uma semana do trágico acidente na Colômbia. O que no começo era choque, virou dor ainda em fase de cicatrização. Mas a dor vem acompanhada de alento.

As lágrimas que só carregavam tristeza hoje já permitem uma emoção diferente. A homenagem feira pelo Atlético Nacional e o povo colombiano foram ações que me deixaram sem palavras. Em um mundo marcado pelo egoísmo, marca presenciar atitudes assim.

Impossível assistir os jogadores do Atlético cantarem “Vamos, vamos Chape” após a vitória no último sábado sem se emocionar. Não sentir nada ao ver as homenagens pelo mundo todo. Das pessoas usando redes sociais para compartilhar estas ações solidárias. De presenciar as quatro torcidas de São Paulo juntas de forma inédita cantando pelo time de Chapecó.

Impossível escrever sem lembrar e sentir as lágrimas caírem. Sem emoção. Durante um tempo será assim. E isso me traz esperança de dias melhores. Tivemos uma tragédia de dimensão ímpar. E ela não deve cair no esquecimento. Mas pode servir de um estopim para algo maior. Mostrar que somos capazes de nos preocupar com o próximo. De que o esporte é acima de tudo para integrar as pessoas. Rivais sim, inimigos nunca.

Que nosso legado seja um mundo melhor . E que daqui alguns anos possamos contar com orgulho como uma tragédia esportiva foi capaz de mudar o mundo para melhor;

Futebol e suas emoções

Este é um dos posts mais difíceis que escrevo para o blog. Já passei por muitas situações, tive que ser imparcial em diversos momentos, tanto a favor como contra.

Acima de tudo, futebol envolve paixão, envolve sentimento. Sorrir por uma vitória, comemorar de foram efusiva uma conquista.

Chorar emocionado por uma conquista inédita. Sofrer por um rebaixamento ou eliminação.

Alegria, dor, tristeza, raiva. O futebol é mais que só um esporte. Mexe com o emocional. Desde uma pequena criança que se envolve pelo seu time até pelos mais velhos que carregam as histórias por toda sua vida.

Dentro de campo, emoções válidas. Naturais do ser humano. Naturais da rivalidade sadia entre clubes. Vira e mexe acontecem histórias de superação, de um clube pequeno que consegue uma chance de fazer história.

A Chapecoense tem uma história de conquistas. Como o clube foi sendo administrado corretamente , com conquistas dentro de campo e como o clube conseguiu sua superação neste ano e rumava para uma final sul-americana inédita, em mais uma linda página desta história.

E infelizmente, histórias também têm páginas tristes. Sofri ao saber do acontecido. Indo dormir tarde por motivo de trabalho e madrugada com o baque sobre o acidente e ansioso por saber notícias.

Começar a terça-feira com a noticia de mortes confirmadas me fez perder o chão. Procurar por informações, entrar em sites e querer saber mais. E ter aquele aperto no peito, sofrer a distância e pensar no quanto quem tem envolvimento emocional com os passageiros deve estar sofrendo.

Escrevi este texto com lágrimas nos olhos. Uma história tão bonita não podia acabar assim. O futebol fica para escanteio neste momento.

A ficha não caiu. Mas vamos deixar que a última lembrança deles sejam este vídeo gravado depois da classificação para a final. Eles merecem esta homenagem.

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Palmeiras só perde o título para si mesmo

O jogo contra o Internacional tinha tudo para ser complicado, mesmo com o time gaúcho ameaçado pelo rebaixamento. Mas o resultado magro acabou sendo muito mais por conta de jornada ruim dos seus atacantes.

O Inter quase não ameaçou a vitória alviverde, mesmo precisando de pelo menos um empate. Quem lamentou o resultado foi o Santos, que surpreendentemente assumiu a vice liderança e poderia ter terminado a rodada com apenas três pontos de distância para o líder.

Justamente o Santos que ao vencer o clássico contra o Palmeiras deu um gás no campeonato , mas nem Flamengo e nem Atlético-MG conseguiram aproveitar o tropeço. O time da Vila Belmiro tem todo o direito de sonhar com o título, nas precisa secar demais o time de Cuca.

E o alviverde mesmo não dando show parece não dar mostras que vai deixar o título fugir pelas mãos. Futebol consistente e regular. Time que não será lembra pelo futebol vistoso, mas que tem tudo para conseguir merecido título.

Goleada para lavar a alma

Ganhar de goleada sempre é uma delícia. Em cima de um de seus principais rivais então, é assunto para qualquer conversa de bar por um bom tempo (normalmente até a próxima goleada). Neste último sábado mais um clássico entre São Paulo e Corinthians escreveu mais uma página importante na história.

O Corinthians passa por um 2016 para esquecer. A vaga na Libertadores pode ser conquistada mais por sorte e falta de clubes qualificados do que pelo que o time apresenta em campo. Mal com Cristóvão, pior com Oswaldo de Oliveira.

Do lado do Morumbi, a expectativa era sacramentar a permanência na série A. Mas nem o mais otimista tricolor ou o mais pessimista alvinegro esperaria o placar de 4 x 0 a favor do São Paulo, em partida onde o mandante arrasou seu rival em casa, em show de Cueva, com gol e três assistências.

Ricardo Gomes viu suas apostas darem certo, principalmente com os jovens da base e se a pontaria estivesse melhor a goleada teria números ainda maiores. Depois de um ano conturbado, o time agora entra na “zona do limbo” e espera chegar 2017 com boas expectativas com relação a base formada, mesmo sabendo que o time não irá disputar a Libertadores.

Do lado rival o resultado complica ainda mais o ambiente. Osvaldo mal assumiu e já é muito questionado, principalmente pelo fato da defesa do Corinthians não ser sombra da muralha de anos atrás. Só não está em situação pior do que Roberto de Andrade, que peca por apostas questionáveis tanto de jogadores como no corpo diretivo e que a cada rodada perde o apoio internamente.

Vasco com sérios problemas

A série B sempre foi vista como um ano de purgatório para os grandes clubes rebaixados, com a classificação normalmente acontecendo sem grandes sustos e o “título” sendo conquistado com rodadas de antecipação , de forma que o calvário durasse pouco.

O mesmo era esperado pelo Vasco neste ano e durante boa parte da competição o time correspondeu. Nenê comandando o time que não perdia e parecia que inclusive iria bater marcas importantes na competição. Mas aos poucos os tropeços começaram a aparecer. Pontos perdidos que não preocupavam deram lugar a nuvens de preocupação.

Nuvens que ficaram ainda mais negras quando o time da Colina perdeu a liderança para o Atlético-GO. Nuvens que viraram tempestade a medida que os resultados negativos já não preocupam mais pela perda do título. Hoje faltando apenas quatro rodadas para o fim da Série B, o te Carioca vê seus rivais próximos. Náutico e Londrina (com 54 pontos, 4 atrás do Vasco) hoje ameaçam seriamente a situação vascaína. O jogo de amanhã contra o Luverdense pode deixar o time em maus lençóis, perto de um feito inédito, que seria a permanência na série B por mais um ano.

Ser rebaixado já é uma mancha para qualquer clube. Ser rebaixado por duas vezes é algo que dói para qualquer torcedor. Mas não conseguir a conquista do acesso seria algo inesquecível para uma história tão vitoriosa. A tabela não parece ser tão complicada. O problema é o emocional dos jogadores. Impossível passar ileso numa situação delicada como a atual

Pontos corridos tem final sim senhor. Qualquer resultado que não seja vitória amanhã pode complicar as coisas pelo lado de São Januário.

Até quando a arbitragem vai ser “destaque”?

Palmeiras com uma rodada perfeita, luta acirrada pelas vagas na Libertadores e briga para fugir do Z4. Opções diversas para focar apenas no futebol. Mas infelizmente a arbitragem foi destaque no fim de semana mais uma vez.

Ouço muitos opinarem que a tecnologia tiraria a graça do futebol, das discussões que norteiam as conversas de bar e que dão tanto assunto para vários programas esportivos. Sou a favor do uso de recursos tecnológicos para esclarecer lances polêmicos. Acho absurdo o Fluminense brigar por um gol irregular e ter o “apoio” do Palmeiras.

Como também acho absurdo que os dois com clubes citados acima ignorem quando a ajuda é a seu favor. Quem dera os dirigentes também tivessem a mesma postura quando o erro fosse a favor. Que os torcedores soubessem reconhecer quando seu time fosse beneficiado , sem tirar sarro. E claro, gostaria que isso fosse postura de todos os times.

Infelizmente este cenário é utópico demais. Ao invés de união para profissionalizar a arbitragem, para pressionar para implementar de uma vez só o uso de recursos tecnológicos e parar de uma vez por todas com discussões por algo menor os dirigentes preferem manter a postura submissa à CBF, aceitar os mandos e desmandos e procurar apenas os seus interesses. Olho este cenário e fico triste por perceber a distância que estamos dos clubes europeus ou mesmo do que é feito por exemplo na Argentina.

Dá até vergonha de dizer que nosso futebol é profissional.

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